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Hiperfrouxidão ligamentar

Você já deve ter visto vídeos na internet ou ter um conhecido que consegue mover alguma parte do corpo de maneira bastante estranha. Isso pode acontecer com pessoas que apresentam a hiperfrouxidão ligamentar.

Assista ao vídeo abaixo com cautela! É um caso extremo encontrado na internet…

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As articulações do nosso corpo com bastante movimento, conhecidas como articulações sinoviais se mantém no lugar devido ao encaixe ósseo e pelos estabilizadores estáticos e dinâmicos. Os estabilizadores estáticos são a cápsula articular e os ligamentos que envolvem as articulações sinoviais, ajudando-as a mantê-las no lugar. Os estabilizadores dinâmicos são a musculatura que passa pela articulação.

Os ligamentos são um tipo de tecido conjuntivo denso modelado ou seja: um tecido composto principalmente por células chamadas fibroblastos que produzem bastante fibras de colágeno e fibras elásticas que se organizam de maneira quase paralela. Essa organização permite que os ligamentos sejam bastante resistentes à forças de tensão em diferentes direções. Assim os ligamentos ligam um osso ao outro de uma articulação, mantendo a estabilidade através do movimento. Na imagem abaixo vemos que os ligamentos tem uma organização mais regular, sendo semelhante a um tendão.

a imagem exemplifica as diferentes organizações encontradas no tecido conjuntivo
Scheilp 2012

A hiperfrouxidão pode ser por motivos traumáticos ou congênitos.

Traumáticos – após uma queda na qual houve uma luxação (saída de um osso da articulação do lugar) com cicatrização ruim dos ligamentos e cápsula, fazendo com que aquela região específica saia do lugar com bastante facilidade. Isso é comum no ombro, uma articulação mais instável que, após uma luxação anterior por queda, por exemplo, pode sair novamente quando a pessoa tentar pegar algo no banco de trás do carro.

Congênito – a pessoa nasceu com alguma alteração que faz com que várias articulações tenham mais movimento do que o normal.

Uma parcela da população possui essa hiperfrouxidão benigna, ou seja, não afeta em nada a sua vida. No entanto possuem algumas características como pé plano e também propensão a algumas patologias na coluna como hérnias e escolioses, torções / luxação no tornozelo e outras articulações. Pelo colágeno ser um dos componentes da pele, é mais comum, também, nessas pessoas estrias, pele mais elástica e fina.

Os diagnósticos nos casos congênitos são feitos a partir da clínica, uma vez que testes genéticos para identificar exatamente qual alteração gênica a pessoa possui, são mais difíceis de realizar. Os sinais a seguir servem como sinais clínicos para identificar a hiperfrouxidão ligamentar:

  • Encostar as mãos no chão.
  • Hiperextensão de joelho ou cotovelo (joelho dobra para trás)
  • Encostar o polegar no antebraço
  • Dobrar os dedos além do considerado fisiológico
Hiperextensão de cotovelo, encostar o polegar no antebraço, hiperextensão de joelho e hiperextensão de dedos

A Síndrome Ehlers-Danlos é um termo “guarda-chuva” que abriga várias desordens do tecido conjuntivo, das mais simples às mais complexas, sendo a mais comum a hipermobilidade articular causada por alterações nos genes de colágeno tipo I, III e IV (existem mais de 15 tipos de colágeno diferentes no nosso corpo, nem todos tem a sua função bem identificados ainda).

O colágeno é uma estrutura grande que tem como principal função a resistir à deformação dos tecidos. Assim a alteração de colágeno tipo I, presente nos ligamentos, torna os ligamentos mais frouxos, fazendo com que a pessoa consiga mover a articulação além de um limite considerado dentro de uma normalidade. A hipermobilidade articular é a capacidade de uma articulação se mover além de um limite considerado fisiológico, além de ser influenciada pela frouxidão dos ligamentos, o encaixe ósseo e a falta de tônus também facilitam com que esse movimento além do fisiológico aconteça.

Além da hiperfrouxidão ligamentar, para as pessoas com caso congênito, a dor, medo e fadiga são aspectos importantes a serem considerados que acabam afetando também a qualidade do sono. O medo do movimento, a cinesiofobia, e a falta de propriocepção (capacidade de sentir o próprio corpo) pode fazer com que a pessoa reduza diversas atividades do seu dia, facilitando com que se instale um ciclo negativo vicioso de desuso, descondicionamento, perda do tônus muscular, flexibilidade, capacidade aeróbica que, pode ajudar a explicar a transição para o terceiro estágio da Síndrome Ehlers – Danlos, no qual os pacientes apresentam várias desordens psicológicas como ansiedade e depressão.

Assim nesse modelo de dor – cinesiofobia – fadiga, em pessoas que com hiperfrouxidão ligamentar, apresentam estratégias para se evitar a dor, como a diminuição de movimento, que irá agravar e / ou causar a fadiga.

Se você têm ou conhece alguém que tenha hiperfrouxidão ligamentar, seja por questões traumáticas ou congênitas, busque um atendimento multidisciplinar para aprenderem a se mover dentro de uma amplitude de movimento segura, evitar desenvolver estratégias comportamentais e cognitivas para fugirem da dor e fortalecimento muscular para evitarem o descondicionamento.

Acredito que a Educação Somática seja essencial para essas pessoas com hiperfrouxidão ligamentar, seja por casos congênitos ou traumáticos.

Referência

Claudia Celletti et at., 2013, Evaluation of Kinesiophobia and Its Correlations with Pain and Fatigue in Joint Hypermobility Syndrome/Ehlers-Danlos Syndrome Hypermobility Type

06/02/2019

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